UMA REFLEXÃO SOBRE DATAS COMEMORATIVAS

Eis um tema polêmico. Há quem goste, há quem não suporte e há os que são indiferentes porque entendem que estão diante de uma cultura tão arraigada na nossa sociedade que melhor não pensar no assunto para não aborrecer-se, já que nada pode ser feito.

As principais datas comemorativas hoje, já transcendem a tradição e são importantes pilares da economia do país. Elas respondem por boa parte das vendas e da produção e, por isso, a cada dia se cria mais uma data. Além de aniversário, tem natal, páscoa, dia das mães, dos pais, dos namorados e, bem recentemente, dos avôs e das avós.

É difícil fugir delas porque a cobrança é grande. Até quem não as suporta por vezes se trai e tem sentimentos depressivos se ninguém lembra de seu aniversário. Para as crianças elas são ótimas porque recebem presentes no dia de receber presentes e quando é dia de presentear só têm o prazer de ver a alegria dos que recebem e receber seus afagos porque a preocupação e o trabalho de escolher e comprar o presente é de um adulto que lhe entregou a tempo e hora o que usou para fazer suas homenagens.

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É muito provável que, exceto para as crianças, essas datas sejam incômodas para os adultos. Datas comemorativas são obrigações sociais e obrigações dificilmente são agradáveis e até estão incluídas no rol das muitas pressões que dificultam a sobrevivência na vida moderna.

Mas o que mais pesa contra as datas comemorativas é o desrespeito ao momento das pessoas. Um casal pode estar mal, mas tem que comemorar o dia dos namorados. Se não comemorar os problemas da relação se agravam e se comemorar, o clima de falsidade pode, da mesma forma, agravar os problemas. Um adulto vivendo uma fase infeliz de sua vida é obrigado a demonstrar alegria no dia de seu aniversário, quando tudo que queria é estar quieto com sua dor ou estar focado na solução de seus problemas. Se tentar fugir e negar as homenagens entristecerá os que querem homenageá-lo e pagará um alto preço por isso. Não há nem como argumentar, porque uma voz se alevantara para afirmar que é preciso comemorar a existência, mesmo que naquele momento você nem quisesse existir.

Nos últimos anos, pelo menos o drama do Natal foi reduzido com o instituto do “amigo secreto” que a cada ano mais se fortalece reduzindo significativamente a tortura de comprar um zilhão de presentes enfrentando lojas cheias, filas imensas e sendo muito criativo para acertar nas escolhas.

Diante da força dessas datas comemorativas era de se imaginar que elas tenham se originado há milhares e milhares de anos. Mas não. Até o século V os aniversários eram satanizados e só foram aceitos quando a Igreja Católica decidiu comemorar o nascimento de Jesus, mas as comemorações de aniversários com festas na forma parecida com a que se tem hoje, tem apenas dois séculos, 200 anos, quatro a cinco gerações.

Tudo foi criado em torno do amor. Todas as datas comemorativas têm como objeto demonstrar a existência de amor, seja em termos religiosos ou humanos. Mas, bom seria que o que é concentrado nesses dias especiais, onde não se sabe ocorrem manifestações verdadeiras, pudesse ser dividido pelos 365 dias do ano. Acho que assim a vida seria infinitamente melhor.

J. Pose

A SUPREMA VIRTUDE

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É difícil, ou quase impossível, definir qual das virtudes influi mais positivamente no comportamento humano.

Em principio, a bondade seria facilmente eleita, mas em excesso tem lá suas restrições. Pode deseducar e inibir o crescimento das pessoas.

A competição é grande porque muitas são as virtudes e todas capazes de fazer das pessoas cidadãos melhores. O bom é que todos tivéssemos todas e aí viveríamos no paraíso, mas diante desse desafio de eleger a que mais contribui para a bem estar da sociedade vamos tentar analisar uma a uma e ver qual delas pode ser a escolhida.

Pode ser a alegria que cria um estado de felicidade, mas, se for permanente, não deixa espaço para a dor, necessária ao aprendizado.

Pode ser a coragem que faz suplantar o medo e enfrentar as dificuldades, mas em excesso, é fomentadora de risco.

Pode ser a determinação que combate à preguiça, o desalento, a falta de ânimo, que faz o indivíduo progredir, mas pode derrubar limites que, necessariamente, precisam ser respeitados.

Pode ser a disciplina que traz a ordem, a organização, a aceitação de preceitos e normas e a produtividade, mas em excesso pode ser redutora da criatividade.

Pode ser o entusiasmo, que motiva, que dá vitalidade, que provoca ação, mas que por vezes alimenta uma quantidade excessiva de projetos, o que pode fazer com que as pessoas tenham muitas iniciativas e nada realizem.

Pode ser a flexibilidade, que permite uma constante adaptação das pessoas às circunstâncias, que promove a harmonia nos relacionamentos, nas que pode, em dose forte, despersonalizar.

Pode ser a honestidade, que muitos tratam como virtude, mas que para nós é simples obrigação.

Pode ser a empatia, que faz com que um indivíduo se identifique com outro buscando agir ou pensar da forma como ele pensaria, mas que se restringe à sociabilização.

Pode ser a humildade, que impõe a modéstia, a ausência de vaidade, a simplicidade na maneira de se apresentar, que faz ouvir e aprender e que, seguramente, é uma virtude imprescindível, necessária.

Pode ser a longanimidade, responsável pela complacência, indulgência, benignidade e tolerância. Proporciona a capacidade de suportar com resignação, insultos, vexames e ofensas, mas pode gerar passividade.

Pode ser o desapego, que capacita o indivíduo a ver os fatos e situações com imparcialidade, com isenção de ânimo e agir com justiça, mas, em contrapartida, distancia as pessoas do desejo de bens materiais e imateriais o que pode levar à estagnação ou até ao retrocesso.

Pode ser a introspecção, que leva a um mergulho no eu interior e pode produzir transformações de personalidade. Sua relevância está na capacidade de gerar mudanças sociais profundas, mas, mesmo assim, não é a que mais faz diferença.

Muitas outras virtudes existem, como a autoconfiança, a estabilidade que traz a constância, a misericórdia que tem o condão de fazer perdoar, a precisão que possibilita a habilidade de fazer as coisas de forma correta, a pureza que orienta para a ausência de vícios e a existência de uma mente sã, a autoconfiança que dá segurança aos movimentos e ações, a maturidade que traz coerência e um maior acerto nas ações, a generosidade que faz prestar ajuda sem nada esperar em troca.

Ora, como a virtude é, por definição, uma disposição de praticar o bem, uma qualidade moral, um atributo positivo dos indivíduos, fica difícil afirmar qual de todas é a mais importante. Mas, no meio de uma imensa subjetividade, há uma que pela sua natureza, pelos seus efeitos, pelo seus atributos, se apresenta maior: – a serenidade. Nela, além de se abrigarem muitas outras, como a força, a paciência, a coragem, a capacidade de agir, está o poder de fazer com que todas as demais se preservem como virtudes, sem perderem efeito por excessos ou falta de sinergia.

Muito há que se falar da serenidade para justificar o seu destaque. Ela faz com que
as pessoas lidem com docilidade e tolerância nas situações mais adversas. Ela provoca um estado de espírito de paz que nos concilia com o que somos, com nossa condição de humanos falíveis e mortais.

A serenidade impede a revolta por não sermos exatamente o que gostaríamos de ser.

A serenidade nos leva à reflexão e ao desprezo de problemas que não têm a menor importância concreta. A serenidade também nos ensina a esperar, uma atitude rara.

Temos a tendência de tratar o momento presente como uma ficção. Vivemos entre lembranças do passado e esperanças de acontecimentos futuros que buscamos alcançar. Sem projetos, ficamos tristes sem sabermos usufruir os prazeres momentâneos que a vida oferece.

Só a serenidade nos leva à consciência de que o ócio é uma dádiva. Só ela nos coloca no presente e nos permite encarar o mundo real e a vida tal qual ela é, com todas suas crueldades e inconsistências. Só ela pode nos fazer “aceitar as coisas que não podemos mudar” e, ao mesmo tempo, fazer-nos aprender a viver em equilíbrio e trilhar os caminhos da sabedoria.

Por tudo isso ousamos classificá-la como a suprema virtude e desejar que todos por ela sejamos ungidos.

 

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ESTÁ FALTANDO MULHER NO MINISTÉRIO DO NOVO GOVERNO

Será que é por ciúmes da bela, recatada e do lar? Claro que não, apenas uma brincadeira para descontrair, de início, a discussão de um tema da maior importância.

Esse novo governo precisa dar certo, independentemente de ideologias, apenas pela necessidade de sobrevivência de uma nação. Mas ele começa pecando pela falta de diversidade de gênero e de raça.

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Parece até que as ausências de mulheres e de negros no ministério é um revide ao governo que saiu porque a sua diversidade foi seguramente o seu maior avanço social, maior, inclusive, do que os louváveis atos para erradicação da miséria que acabaram reduzidos por um populismo desenfreado.

A sociedade tem obrigação de apoiar de todas as formas esse novo governo para não chegarmos a um estado de caos, impossível de reverter. O resto, depois se discute.

Mas é preciso também que a sociedade afirme e reafirme esse retrocesso para que a salvação do país, que apoiaremos de todas as formas, não seja atribuída à opção por um governo conduzido só por homens e por brancos.

O êxito terá que ser alcançado e exaltado, mas sempre com a ressalva de que ocorreu apesar desse grave engano.

Espero que a composição do ministério seja um equívoco não intencional, resultado da pressa com que foi montado e que logo seja corrigido, porque a árdua missão do governo exige apoio da sociedade e esse apoio só virá se toda ela se sentir representada, mesmo que os “homens brancos” façam o que tem que ser feito no tempo certo.

J. Pose

NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE

Tudo. Tudo, tudo sempre diferente! Assim é a impermanência, que faz com que a vida tenha vida e a esperança amenize a dor.

Tudo em mudança num universo onde há dia e noite, onde anos se sucedem e onde, por impulso, o homem se submete à inquietude buscando sempre um lugar para permanecer, sem nunca encontrar.

Não importa que o novo seja bom ou mau, porque a ciência tudo justifica. Ciência que de um lado consegue instrumentos para alongar a vida e de outro a destrói – pelo menos em qualidade.

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A mudança, fenômeno que sempre fez parte da existência humana, nos tempos recentes mudou drasticamente sua velocidade e tornou-se marca da modernidade. Seu acelerador foi a tecnologia da informação que surgiu há 50 anos e nos últimos vinte atuou com muita intensidade aumentando de forma exponencial as transformações, sem nenhuma preocupação com a preservação de valores, com a saúde física e mental do ser humano, com o destino do planeta e das futuras gerações.

O ritmo veloz com que passamos a buscar o novo, criou uma demanda desenfreada de tudo por todos, os espaços se reduziram e a competição passou a definir a rotina, o comportamento e até o destino das pessoas. Surgiu o estresse que suga energias e impede o gozo do que é conquistado, produzindo doenças que sequer imaginamos.

A competição destruiu a confiança e fatores econômicos tornaram-se o elo das relações. Profissões antes menos demandadas assumiram importância inimaginável: advocacia, psicologia, psicoterapia e, obviamente, a tecnologia da informação.

Perdemos a noção de futuro, tantas são as coisas que se criam em curtíssimo espaço de tempo. Só sabemos que por efeito da impermanência, em algum momento vamos mudar de rumo, vamos abandonar a tecnologia da informação ou, pelo menos, reduzir sua importância para voltarmos à nossa essência.

Não vamos suportar por muito tempo essa tendência de viver virtualmente porque somos reais e vamos ter sabedoria para apenas usar o que o mundo virtual traz efetivamente de benefício às nossas vidas. Vamos preservar a facilidade dos serviços, mas não vamos mais abrir mão da convivência social, da pessoalidade. É óbvio que o e-commerce não tem retorno, só haverá de se expandir e por conta disso os shoppings se transformarão em grandes centros de lazer.

Não há como caminhar para o infinito. As saias sobem e depois descem, ficam rodadas e depois justas.

Estejam certos que pássaros livres voltarão a cantar, que cadeiras na calçada voltarão a juntar vizinhos e amigos para nada fazer, apenas para apreciar o silêncio, apreciar o luar ou ouvir histórias simples, mas contadas por gente que a gente vê e pode tocar.

Estejam certos que assim será porque tudo ocorre em ciclos, alguns de pouca, outros de muita velocidade, ciclos que vão se diferenciando lentamente produzindo mudanças evolutivas, as verdadeiras mudanças, que desconhecemos porque ocorrem num tempo sempre superior a uma geração.

Tudo, tudo, tudo sempre diferente. Uma realidade que nos assombra e nos alenta. Nada será para sempre maravilhoso e nada será para sempre triste. Medo e esperança convivendo em absoluta harmonia, num equilíbrio responsável pela grande beleza da vida.